quarta-feira, 22 de abril de 2009

Planeta "habitável" à vista!!!

No ano de 2007, o Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França juntamente com pesquisadores do Observatório de Genebra e do Centro de Astronomia de Lisboa descobriram um planeta que, segundo eles, “possui ao mesmo tempo uma superfície sólida e líquida e uma temperatura próxima da encontrada da Terra”. Caso novos dados colhidos por satélites assegurem que o planeta em questão é habitável, muitos esforços e empreendimentos serão feitos para que o mesmo seja tanto alvo de uma futura visita do homem, como também objeto de exploração por parte deste sagaz visitante. E aí? O que será deste ‘novo’ planeta ou o que poderá vir a ser dele depois desta possível chegada do homem? Repetiríamos nele erros semelhantes àqueles cometidos no passado, quando, em nome do acúmulo de riquezas e do domínio de uma minoria, civilizações inteiras acabaram sendo dissipadas e pessoas livres vieram a se tornar escravas ou vítimas de holocaustos?
Para responder às perguntas acima é necessário que analisemos com honestidade a vida do homem na Terra até o presente momento. Nesse sentido, de uma forma bem resumida, podemos dizer que, conquanto já tenha havido, como fruto do empreendimento humano, momentos e situações que mereçam nossa admiração e enlevo, o homem, lamentavelmente, de um modo geral e ‘progressivo’, têm causado mais a destruição de si mesmo e do ambiente natural ao seu redor do que propriamente o seu desenvolvimento harmonioso, sustentável e saudável.
O pior disso tudo é que enquanto alguns demonstram não ter consciência do mal até aqui praticado, outros, por sua vez, mesmo tendo conhecimento do estado em que Terra se encontra, se mostram indiferentes com relação a ela, não vendo qualquer necessidade de arrependimento ou mudança no modo de pensar, viver e agir. Se esta situação perdurar, dentro de poucos séculos o planeta Terra já não poderá ser chamado de ‘planeta verde’ e nem de ‘planeta água’, mas de ‘planeta caos’.

Finalmente, vem a minha memória o ano de 1969, quando ainda criança assistia pela TV a chegada do homem à Lua. Lá os astronautas colocaram a bandeira de seu país. Depois da missão cumprida os tripulantes da Apolo 11 retornaram a Terra e foram recebidos como heróis. Passados os anos, vemos que o homem não conseguiu habitar na Lua por razões já conhecidas da maioria de nós. Talvez, seja por isso que ela continua linda e misteriosa para quem a admira. Será que ainda não aprendemos que quem não cuida bem de si mesmo, não está apto a cuidar de ninguém, e que quem não ama os de seu próprio habitat não serve para habitar em lugar algum? Não será melhor deixar em paz o planeta descoberto, pelo menos enquanto não aprendemos a arte de viver pacificamente e fraternalmente uns com os outros? Deus tenha misericórdia de nós e do planeta que foi avistado e que os raios de Gliese nos impeçam de chegar nele com o mesmo espírito dominador e usurpador que tanta destruição e hecatombes têm provocado na Terra, lugar ainda habitável, mas até quando?

Uéslei Fatareli, rev. mestre em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie

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