"EM NOME DE DEUS"
O que desvia os ouvidos de ouvir a lei,
até a sua oração será abominável.
Pv 28:9
Tem gente que pensa que orar é “não fazer nada”. Para tais pessoas a oração não tem importância e é uma pura perda de tempo. Por mais estranho que possa soar aos nossos ouvidos, muitos que seguem esse raciocínio em nossos dias não são necessariamente ateus, mas religiosos à toa que se renderam uma espiritualidade meramente nominal e institucional. Nesse sentido, encontramos com certa facilidade muita gente que não têm qualquer dificuldade em afirmar seu assentimento intelectual com relação ao cristianismo, mas que, por outro lado, desconsidera e despreza o fato de Cristo ser, por meio da oração, o maior exemplo de uma relação viva com o Pai nosso que os Evangelhos narram.
Há também quem veja a oração somente como uma muleta ou como um remédio. Estas pessoas entendem que Deus existe para ser usado e consumido somente nas horas difíceis e não para ser amado em todo o tempo. Desta forma, a oração acaba sendo reduzida a um tratamento meramente utilitário no qual o que importa é receber benefícios com o fim exclusivo de esbanjamento individual e egocêntrico. Um comportamento assim aborta toda e qualquer perspectiva relacional com Deus e faz da oração um monólogo ao invés de um diálogo. Geralmente quem tem este tipo de relação com Deus se esquece que orar é aquietar-se em Sua presença e, humildemente, se prostrar em silêncio diante do Espírito que guiou Jesus no deserto, Espírito que nos guia a toda verdade.
Outros, entretanto, vêem a oração como um modo eficaz de se manter uma relação de profunda amizade com o Criador do Universo, relação que não transforma o Pai nosso, mas que transforma aquele que ora ao Pai nosso e com o Pai nosso. Quem vive assim acaba por participar de Suas obras no mundo e testemunha uma fé que jamais fecha os olhos para o mundo ao seu redor, mas trabalha para transformá-lo com uma vida transformada. Neste caso, ao contrário do que pensava Marx, é a comunhão com Deus, fundamentada em Sua Palavra libertadora e santificadora, que coopera no sentido de libertar o povo de seus ópios e de tudo que o entorpece.
Embora haja muitos tipos de enfoque que poderiam aqui ser mencionados, tanto no aspecto positivo como negativo acerca da maneira que a oração é vista ou tratada, mencionamos nesta parte derradeira de nosso breve artigo, uma oração que Deus, segundo o livro de Provérbios, abomina.
Para mencioná-la, destacamos algo ocorrido meses atrás em Brasília e que foi transmitido pelos meios de comunicação. Referimo-nos às lamentáveis cenas de pessoas ligadas ao campo político que oravam, ao mesmo tempo em que arquitetavam ações corruptas. Tal episódio nos aproxima das palavras de sabedoria quando elas dizem que alguns oram a Deus, mas não dão ouvidos à Sua Lei. Tal oração e conduta Deus abomina, pois transmite a idéia de que Ele é um ser indiferente à justiça, a moral e a ética, o que Ele não é.
Finalmente, sem qualquer pretensão de colocar ponto final ao assunto, até porque somos alunos da escola da oração e continuaremos a ser ao longo de toda a vida, aprendemos com os desdobramentos da oração abominável, que quem semeia corrupção é desmascarado e colhe condenação, principalmente quando semeia em Nome de Quem não se associa com a iniqüidade e nem admite que Seu Nome seja usado em vão. Ao Deus justo que quer que mantenhamos companhia com Ele por meio da oração, mas que também nos ensina que não atende a todo e qualquer tipo de oração a Ele dirigida, toda a honra e glória, hoje e sempre!
Uéslei Fatareli, rev.
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