quarta-feira, 5 de agosto de 2009

INIMIGOS INVISÍVEIS E VISÍVEIS




O Brasil e muitos outros países ao redor do mundo estão tendo que enfrentar e combater a gripe A (H1N1), um inimigo invisível que se torna visível à medida que vidas são por ela atingidas. Sabemos que no mundo, por muitos outros motivos, ocorrem mortes diariamente e o número delas não é pequeno. Quem já não tomou conhecimento do número assustador de óbitos de seres humanos em razão de desnutrição, água contaminada, doenças sexualmente transmissíveis, câncer provocado pelo consumo de cigarros ou ingestão de alimentos não recomendáveis etc.?

Por que, então, a gripe A acaba despertando maior interesse ou maior preocupação por parte das pessoas e dos segmentos ligados à saúde? Evidentemente, a resposta a tal questão é ampla e jamais teríamos a pretensão de querer respondê-la de forma inequívoca e definitiva. Entretanto, uma das conclusões que nos ocorre relaciona-se com o fato de que, em virtude do vírus da gripe A ainda estar sendo objeto de investigação e a vacina em estágio de produção, sentimo-nos menos protegidos e mais vulneráveis, mesmo tomando medidas higiênicas e alimentares preventivas e salutares. Não obstante, em nosso modo de ver, precisamos e podemos olhar para o quadro atual com uma tríplice visão. E qual seria ela?

Primeiramente, precisamos e podemos ter a visão que nos permite encarar o invisível com os olhos da fé. Não nos referimos aqui a fé na fé e muito menos a fé que se confunde com otimismo ou pensamento positivo, mas falamos da fé que crê no Deus invisível que se tornou visível em Jesus Cristo, a fé que se faz acompanhar de boas obras. Essa fé não trata o trabalho científico sério com descaso ou desrespeito, até porque a ciência muitas vezes se desenvolveu e ainda se desenvolve em muitas situações a partir de uma busca que, assim como a fé bíblica, vai além dos limites de nosso globo ocular. Talvez, isso nos ajude a compreender a razão de pessoas como Kepler, Galileu e muitos outros cientistas cristãos terem cooperado de forma tão expressiva para o franco desenvolvimento da investigação científica em seus estágios iniciais, pois para eles a fé e a ciência não só convidavam para ver o invisível, mas, também, despertavam para enfrentar e vencer inimigos invisíveis e visíveis.

Em segundo lugar, precisamos e podemos receber a visão do amor que se torna visível por meios de obras de justiça, compaixão e misericórdia. Pois, como já disse o doutor Isaías Raw, diretor-presidente da Fundação Butantan, ainda que o Brasil já tenha tomado providências para produzir a vacina, seus primeiros lotes, quando estiverem prontos para utilização, não poderão atender, num primeiro momento, toda a população, até porque os primeiros lotes do medicamento deverão ser reservados àqueles que atuam na área da saúde, depois àqueles que trabalham nos aeroportos, posteriormente aos idosos e às crianças e, por fim, às demais pessoas. Nesse caso, somente aonde houver a solidariedade, o respeito e a bondade que prezam e se empenham pelo cuidado para com o semelhante, seja ele quem for, a gripe A será vencida, primeiramente pela influência do A’mor’ e, posteriormente, pela medicação.

Em terceiro lugar, precisamos e podemos ser pessoas com a visão focalizada na esperança. Como já é sabido de muitos, a esperança pode nos fazer reagir contra aquilo e contra aqueles que querem nos dominar e roubar de nós o direito de viver. A esperança nos ajuda a manter não só a mente ocupada com pensamentos de vida e a favor da vida num mundo de mortes, mas também a crer numa vida após a morte neste mundo. Não é sem propósito que as Escrituras Sagradas tragam consigo muitas perguntas que precisam ser respondidas pelo homem, e uma das principais é feita por Jesus quando Ele diz: “Eu Sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11.25-26). Desta forma, Jesus nos mostra o caminho que nos liberta de todo desespero e que nos reveste com uma armadura inexpugnável que nem mesmo os piores inimigos invisíveis e visíveis conseguem sobrepujar.

Finalmente, que a prática dessa tríplice visão provoque uma onda de influência que nos torne verdadeiros amigos de Deus e amigos verdadeiros uns dos outros, um tipo de gente que vive na dimensão da fé, do amor e da esperança em Cristo, uma santa e eficiente composição que nos habilita a vencer pandemônios e pandemias.

Soli Deo gloria.
Uéslei Fatareli, rev. ms.

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