sábado, 6 de junho de 2009


TIANANMEN
A palavra chinesa que serve de título para nossa breve reflexão, transliterada evidentemente com caracteres de nosso alfabeto, significa “PAZ CELESTIAL” e se refere ao nome de uma praça que fica localizada na cidade de Pequim, na China. Em nossa língua portuguesa conhecemos a praça como Praça da PAZ CELESTIAL.

TIANANMEN é a maior praça urbana do mundo, com aproximadamente 405 mil metros quadrados de área. Entretanto, é uma praça que não possui árvores e nem assentos para aqueles que nela transitam. Foi nesta praça, em 1° de outubro de 1949, que Mao-TseTung proclamou a República Popular da China e foi também nela, poucos meses antes do regime popular chinês comemorar quarenta anos, que um jovem de paradeiro ainda desconhecido, sem armas nas mãos, enfrentou no dia cinco de junho de 1989 os tanques do exército de seu próprio país, bloqueando-os por alguns instantes com seu próprio corpo.

Não entrando aqui no mérito de tudo que envolveu os conflitos entre o governo chinês e os destemidos jovens estudantes que se fizeram acompanhar de sindicalistas daquele país, não podemos deixar de ressaltar que o nome da praça, PAZ CELESTIAL, nos aponta, numa primeira análise, mais para o céu do que para a terra.

Ficamos a pensar no que teria acontecido às mentes dos líderes de um regime político marcadamente materialista para que permitissem que sua maior praça continuasse sendo chamada de TIANANMEN. Será que tal postura representava somente um modo de não quebrar o vínculo com o passado ou será que os anseios do passado continuavam vivos no presente? Será que isso já não sinalizava que é impossível a qualquer sistema político garantir paz ao homem que vive na terra? Será que a permanência do nome de uma praça que foi construída inicialmente em 1420 não era uma maneira de mostrar que nossa caminhada na terra é essencialmente um convite para desfrutarmos da PAZ CELESTIAL nela? Será também que TIANANMEN não era uma forma de representar a ausência da PAZ, ou ainda, que podemos ser pacificadores e construtores da paz na terra, mesmo quando vivemos inseridos em regimes governamentais que alijam a Pessoa de DEUS, O PAI CELESTIAL, simplesmente por julgarem tal pensamento desprovido de lógica e de valor científico?

Caríssimos, trazemos à memória o ocorrido no dia cinco de junho de 1989 para lembrar com muito respeito o ato daquele nobre e corajoso estudante chinês, que também, de alguma forma, contribuiu para que o muro de Berlim naquele mesmo ano caísse. Tais acontecimentos, tanto pelos aspectos correlatos como pelos seus desdobramentos sociais, levaram alguns historiadores a afirmar que o ano de 1989 estabeleceu o fim de uma era e inaugurou uma nova. Há quem diga, com bons argumentos, mas em tom angustiante, que estamos hoje vivendo a era do vazio. Desta forma, em nosso modo de ver, é necessário refletirmos melhor sobre os acontecimentos ocorridos em Pequim e em Berlim, pois os mesmos nos ajudam a entender que somos seres humanos em busca de uma PAZ PERPÉTUA em todas as eras e em todas as dimensões da vida.

Finalmente, mesmo vivendo numa era que até pode ser chamada de era do vazio, continuamos trazendo dentro de nós mesmos o desejo de preencher todo vazio do corpo e da alma, todo vazio que nasce do fruto de relações descartáveis e insustentáveis e todo vazio existencial que vem como resultado de não se ter encontrado sentido na vida. Nesse sentido, precisamos muito mais do que uma Praça com o nome TIANANMEN, pois somos seres humanos chamados à existência para desfrutar de PAZ CELESTIAL na terra, a PAZ PRESENTE E PERMANENTE e não aquela que é ocasional e efêmera. Felizmente, a PAZ ETERNA pode ser encontrada, recebida, vivida e transmitida, não a partir de sistemas de governo político, mas por meio de JESUS CRISTO Aquele que governa com perfeição e a Quem a Bíblia chama majestosamente de PRÍNCIPE DA PAZ. Somente através d’Ele, praças sem verde, sem esperança, sem alegria e sem liberdade de diálogo voltam a ter árvores e bancos. Os bancos nos convidando para assentarmos e conversarmos pacífica e livremente uns com os outros e as árvores, abrigo dos pássaros, nos oferecendo acolhimento e refrigério em suas sombras generosas.

Soli Deo gloria.



Uéslei Fatareli, rev.ms.

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